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Archive for 13 de Março, 2008

por Léo Dias

Em recente conversa com a minha mais nova grande amiga, foi me dito que escrever sobre lugares para jantar, tipicamente românticos é muito interessante, mas a lacuna de saber aonde ir comer no almoço, aquele de quarta-feira que você não tem a menor idéia de onde ir, poderia ser preenchido aqui no Comidinhas.

Eis que me recordei de um lugar muito bom na Chácara Santo Antônio, próximo à Marginal Pinheiros e Avenida Santo Amaro, chamado Bello Piatto. O lugar é uma típica cantina italiana – com fotos da São Paulo de outrora – e uma decoração de muito bom gosto.

Se você der um pulo na cozinha terá o prazer de conhecer a Dona Tina, proprietária do estabelecimento e que cuida pessoalmente dos pratos, molhos e massas. O atendimento é bom, começando por um couvert com um pão caseiro de ervas muito bom, acompanhado de manteiga, berinjela e sardela.

Como prato principal já provei o filet a parmegiana, que é muito bem servido MESMO! Muito saboroso e bem temperado com sal na medida. O risotto é daqueles que se vê que foi bem feito, muito apetitoso e bem servido também. A lasanha de calabresa é a mais pedida na categoria de pasta e para os mais atentos ao regime, as saladas são muito variadas.

Quem fizer questão, pode pedir para o proprietário a sugestão de um bom vinho e pagando um preço condizente com um almoço de meio de semana.

Na saída, não deixe de tomar um café e ir ao balcão ver as opções de antepastos que estão à venda, assim como bons biscoitinhos e docinhos preparados pela Dona Tina.

E isso tudo num custo por pessoa em torno de R$ 18 (sem vinho). Pela qualidade, pelo filet a parmegiana (meu predileto) e pelo custo, vale muito a pena.

Bello Piatto
Rua Fernandes Moreira, 407, Chácara Santo Antônio
Tel.: 11 5181-9265

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13/03/2008 JANAINA FIDALGO
LUCAS NEVES
da Folha S.Paulo

Soa o terceiro sinal no teatro Aliança Francesa. Na abertura das cortinas, em vez de um burguês cínico talhado por Molière ou da dramaturgia experimental do Théâtre du Soleil, surge um brasileiro “de origine” francesa algo estabanado, o chef, padeiro e apresentador de televisão Olivier Anquier, 48, que se naturalizou há oito meses. VÍDEO: Veja entrevista com Anquier.

Roberto Setton/Folha Imagem
Olivier Anquier (foto) no espetáculo “Olivier, Fusca e Fogão”; a montagem estréia em SP

“Gente, olha a sujeira que ele faz… Se fosse na minha cozinha, eu o mataria!”, pensa alto, como se estivesse no sofá de casa, uma espectadora do ensaio de “Olivier, Fusca e Fogão”, primeira incursão do cozinheiro nos palcos, que estréia neste domingo. Não à toa. Em cena, o protagonista segue à risca a receita teatral de gestos expansivos: joga mais sal no chão do que na panela, derruba a espátula e esquece a frigideira no fogo até o azeite virar fumaça.

Apesar de o tripé cenário-iluminação-platéia sugerir uma encenação tradicional, Anquier tem outra percepção de seu novo projeto. “Teatro não pode ser. Não tem representação de personagem. Interpreto o que eu sou, sem nenhum artifício ou fantasia. Sou incapaz de inventar um personagem de ficção, não consigo decorar três linhas. Só se for esse personagem que criei ao longo dos anos.”

A constatação de que a cozinha lhe renderia mais louros do que a carreira de ator veio depois de uma ponta (pouco memorável) no thriller “O Satânico Mister Frost” (1990), com Jeff Goldblum. “Apesar de ter sido sondado desde jovem, inclusive para fazer novela no Brasil, logo entendi que era um péssimo ator.”

Assim, no lugar da dramaturgia, “causos” recolhidos ao longo de uma década de viagens pelo Brasil e mostrados no programa “Diário do Olivier” temperam uma aula expressa, cheia de “trucuzinhos” (no português enviesado de Anquier) para descomplicar a cozinha.

Desdobramento das aulas-show com que o padeiro corre o Brasil, a idéia foi fermentada por Pedro Mattar, que assina o “roteiro”. Entre aspas porque, segundo o chef, “Olivier, Fusca e Fogão” não segue um texto: “Tenho só as marcações. A seqüência de temas está definida.

A maneira de contar, o fio que vai ligar uma coisa à outra é que é improvisação. É tudo em função da “réceptivité” do público”.

E ela, a re-cep-ti-vi-da-de, não se abala nem diante de seus tropeços no português. Os neologismos incluem “castéis” de areia, medidas calculadas “aproximativamente” e iguarias servidas em “platões”.

Self-service

As escorregadas lingüísticas, não se engane, são só mais um artifício para laçar a platéia, que, a certa altura, escolhe o menu a ser preparado numa cozinha nada cenográfica: jantar romântico para dois (“Três é outra coisa”), soluções de frigideira e jantar inesperado. Aos domingos, a pedida é sempre o bê-á-bá do preparo de um pão.

Em seguida, Anquier convida espectadores a subir ao palco e botar a mão na massa. A recompensa pelo “mico” de brincar de “assistente de Ofélia” na frente de 230 pessoas é poder provar todos os pratos feitos em cena.

“O mais complicado foi construir esses cardápios. Levei em conta os ingredientes utilizados, a facilidade de execução e compreensão e o aspecto “espetacular”. Desejo que o público reproduza as receitas em casa.”

“Intimidade carinhosa”

É difícil acreditar que um homem bonito como Anquier não receba cantadas do mulherio. “Quem criou essa imagem [de galã] foram vocês [a mídia]. Meu público é um pouco mais feminino, mas fico orgulhoso quando um barbudo vem me dizer “parabéns!'”, desconversa. “Tenho sorte de não sentir os efeitos da palavra assédio, que considero algo agressivo. As pessoas se aproximam de mim com uma intimidade carinhosa, como se eu fosse ‘de casa’.”

Essa proximidade foi cultivada na TV desde 1996, em passagens por Globo, GNT e Record. Da última, saiu em 2007, por não ser “ladrão de tempo”. “Eu não estava à vontade, não consigo ser uma coisa ali só para passar o tempo. Mas eu vou voltar, voltar na Record”, garante.

E se a fome já batia em quem acompanhava as receitas do chef pela televisão, ao vivo a experiência chega às raias da tortura. Aos desafortunados que não fizerem companhia a Anquier no palco quando ele soltar seus “Et voilà!” (senha que anuncia a finalização do prato), restará o consolo de um kit de “primeiros socorros” dado na entrada: pão e queijo.

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