Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for 10 de Janeiro, 2008

Santa Fe 1234

crédito: Beatriz Rey

por Beatriz Rey

Algumas coisas são tomadas por uma áurea semi-eterna: mesmo no passado, insistem em existir, de tão vivas em nossas cabeças, mas ao mesmo tempo tão distantes no que chamamos de concreto. É assim que me sinto quando lembro de Buenos Aires. Repito a pergunta que fiz no meu blog: sete dias são suficientes para falar de uma cidade? Não sei. Tampouco sei dizer em qual momento fui tomada de uma nostalgia antecipada, como quem precisa dizer adeus mas resiste em se manter firme, de pé, no mesmo lugar. 

Desembarquei em Buenos Aires no dia 25 de dezembro – era Natal. Um certo desânimo se apoderou de mim naquele dia. Fossem as ruas desertas. Fosse a sensação no ar de tempo parado, como se uma incrível massa paralizasse tudo e todos na avenida Santa Fe. Não sei dizer. O que sei é que pisei em Buenos Aires com fome. E que, ingênua, achei que fosse encontrar algo para comer naquele momento. Na recepção do albergue, a pergunta clássica escapou – ainda não estava habituada com o espanhol, do jeito que ficaria antes de partir: 

– Donde puedo encontrar un local para comer? Sí, comer, comer!

Foi-me indicado um restaurante na própria Avenida Santa Fe, chamado Santa Fe 1234. Era o número do prédio. Sentamos, olhamos o cardápio. Media Luna? Não, isso é para o desayuno. Sim, café da manhã. Bom, a opção menos dolorosa é a pizza. Fomos de pepperoni e a básica mussarela. Uma delícia. Devo ter experimentado pizzas melhores em São Paulo – não tenho dúvida nenhuma quando lembro da minha querida Esperança – mas aquela pizza, embriagada do ar portenho, caiu perfeita.

O dia seguinte, tomado por minhas excessivas caminhadas com a ânsia de conhecer todo pequeno prédio, terminou num restaurante peculiar. Na esquina da Calle Posadas, e a Calle Callao existe o restaurante El Sanjuanino, famoso por empanadas deliciosas e baratas. Chegamos às dez para sete, e, claro, demos com a porta fechada. Mas um aviso garantia que em dez minutos estaríamos lá dentro, saboriando una empanada de pollo. Os dez minutos foram preenchidos com voltas pela Avenida Del Libertador e pela Calle Alvear – as duas dignas de lembranças de Paris. Vamos ao que interessa: sentamos no El Sanjuanino às sete em ponto, e pedimos o cardápio.

 – Dos empanadas de carne, dos empanadas de pollo, una Quilmes y una Coca, por favor.

Em questão de instantes – não é exagero – fomos atendidos. Podem dizer que o restaurante vazio facilitou o atendimento, mas mesmo depois de meia hora, com a casa lotada, continuamos bem servidos. Em tudo: o recheio tem tempero na medida certa, a massa é uma delícia e a Quilmes…à Quilmes dedico um parágrafo final deste texto. Uma dica: experimentem a empanada El Sanjuanina, que é frita. A vontade é sair de lá depois de ter comido umas vinte.

De vez em quando, ainda me sinto também comendo uma pizza no El Cuartito, na Calle Talcahuano. É um ambiente que parou no tempo: paredes azuladas ou amareladas envelhecidas (não consigo me lembrar a cor) são cobertas por pôsteres antigos de lutadores de boxes e jogadores de futebol. A pizza é massuda – tem uns 3 ou 4 cm de pura massa – mas é uma delícia. E vale pelo preço: se não me engano, meia mussarela meia calabresa e duas Cocas nos custaram 28 pesos. Ao fecharmos a conta, fitei o garçom por alguns instantes. Era mulato (há poucos mulatos e negros em Buenos Aires). Como tinha conhecido o bairro La Boca, fiquei imaginando se ele não era de lá, se não atravessava a cidade todos os dias, e chegava cansado…Buenos Aires também tem dessas coisas. 

Todos os dias voltávamos ao albergue, pegávamos uma cadeira de plástico branca e sentávamos com cinco amigos, que ainda o são aqui em São Paulo. Passávamos a noite bebendo Quilmes e cantando músicas brasileiras – todos os gringos do albergue, sem exceção, passavam um tempo nos olhando. O comentário geral era: “brasileiro é foda mesmo, todo mundo paga pau”. E tinham razão. No churrasco que organizamos de Ano Novo ali mesmo, no albergue, ouvi de mexicanos, holandeses, americanos e poloneses que não há pessoas como os brasileiros no resto do mundo. Assim, tão animados. A Quilmes sempre regava nossas cantorias – é uma cerveja com 4% de álcool, gostosa, que desce bem pela garganta e, acima de tudo, não deixa ressaca e estômago invertido no dia seguinte. Foi a melhor cerveja que já tomei na vida. Estranhei quando cheguei em São Paulo e pedi uma Original no bar – é mais pesada e menos saborosa. 

No último dia, já 2008, acordamos às 10h da manhã com o Japa, amigo agora em São Paulo, batendo na porta do nosso quarto e convidando para um café da manhã. O último. Mais uma vez, aquela densidade oca e parada invadiu a cidade. Nem táxi era possível ver nas ruas. Mais uma vez, acabamos no Santa Fe 1234. Sentamos. Naquela altura da viagem, já sabíamos do sabor de uma media luna con queso e jamón. Pedimos. Lembro daquela cena como se tivesse acontecido há alguns instantes: eu, o Theo, o Japa e o Rodrigo sentados ali, olhando a Avenida Santa Fe vazia, com um quê de tristeza e nostalgia que não tinha remédio. Era mesmo o último dia em Buenos Aires.  

Mais fotos

Anúncios

Read Full Post »

Cãofeitaria

A Cãofeitaria é um espaço único no Brasil onde os cães podem ser servidos na hora, em mesinhas especiais para eles, enquanto os donos pedem alguma coisa para beber ou comer. O cardápio dos donos é composto de: café, chocolate, capuccino – estes feitos na hora em máquina especial -, refrigerante, bolachinhas, chocolatinhos em barra, dentre outros petisquinhos salgados ou doces. 

No cardápio dos cãos, podemos destacar o refrigerante canino (sabor carne), porções de patê francês para cães (sabores pato, frango ou perú), porções de biscoitinhos caninos (vários sabores à escolha), chocolate canino (nos formatos de pastilha, biscoito, tablete ou palitinhos feitos de couro comestível cobertos de chocolate), porções de ração úmida, etc…. 

As porções de petiscos e a bebida (refrigerante ou água mineral) são servidos em potinhos descartáveis nas mesinhas em formato de osso. O objetivo da Cãofeitaria é criar um espaço onde os donos possam se divertir na companhia de seus cães (barrados na maioria dos locais fechados onde os donos gostariam de ter sua companhia), conversar com outros “cachorreiros”, e ainda festejar momentos especiais, pois, a Cãofeitaria também pode ser palco de festinhas de aniversário ou casamento.

Além disso, muitos donos gostam de sentar e ler alguma coisa enquanto esperam seus cães tomarem banho, principalmente nos finais de semana. Bem, vamos às fotos.

Rosimara, Pet Maniacs Comércio e Serv. Ltda.

Petshop: www.petmaniacs.com.br
Portal:
www.petmaniacs.com.br/portal

Read Full Post »