Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for 29 de Outubro, 2007

Cozinha

por Rubem Alves

Qual é o lugar mais importante da sua casa? Eu acho que essa é uma boa pergunta para início de uma sessão de psicanálise. Porque quando a gente revela qual é o lugar mais importante da casa, a gente revela também o lugar preferido da alma. Nas Minas Gerais onde nasci o lugar mais importante era a cozinha. Não era o mais chique e nem o mais arrumado. Lugar chique e arrumado era a sala de visitas, com bibelôs, retratos ovais nas paredes, espelhos e tapetes no chão. Na sala de visitas as crianças se comportavam bem, era só sorrisos e todos usavam máscaras. Na cozinha era diferente: a gente era a gente mesmo, fogo, fome e alegria.

“Seria tão bom, como já foi…”, diz a Adélia. A alma mineira vive de saudade. Tenho saudade do que já foi, as velhas cozinhas de Minas, com seus fogões de lenha, cascas de laranja secas, penduradas, para acender o fogo, bule de café sobre a chapa, lenha crepitando no fogo, o cheiro bom da fumaça, rostos vermelhos. Minha alma tem saudades dessas cozinhas antigas…

Fogo de fogão de lenha é diferente de todos os demais fogos. Veja o fogo de uma vela acesa sobre uma mesa. É fogo fácil. Basta encostar um fósforo aceso no pavio da vela para que ela se acenda. Não é preciso nem arte nem ciência. Até uma criança sabe. Só precisa um cuidado: deixar fechadas as janelas para que um vento súbito não apague a chama. O fogo do fogão é outra coisa.

publicado no Correio Popular, Caderno C, 19/03/2000

Leia na íntegra

Read Full Post »

19/10/2007

VERENA FORNETTI
Colaboração para a Folha

Alfenim, broa de pau-a-pique, doce de limão-capeta e doce mamão em flor. Muitas receitas tradicionais de doces e quitandas, nome regional para a pâtisserie caseira, estão à beira da extinção… No entanto, pesquisadores e doceiras espalhados pelo país têm se dedicado à preservação da memória de sabores que estão prestes a desaparecer.

Karime Xavier/Folha Imagem
Faça a broa de pau-a-pique, ou mata-homem, um doce tradicional prestes a desaparecer
Faça a broa de pau-a-pique, ou mata-homem, um doce tradicional prestes a desaparecer

“As receitas de compotas levavam dias para serem feitas: limpar as frutas, aferventar e trocar a água antes de cozinhar na calda. Hoje, as mulheres trabalham ou acumulam atividades, não há mais cozinheiras à moda antiga”, diz a socióloga Mônica Chaves Abdala, que coordenou uma pesquisa para recuperar receitas da região do Alto Paranaíba (MG).

Com a historiadora Maria Clara Tomaz Machado, Mônica e uma equipe de estudiosos da Universidade Federal de Uberlândia percorreram fazendas e festas regionais. O trabalho será publicado pela Editora da Universidade de Uberlândia em parceria com o Sesc.

“Muitas moças não querem saber de aprender essas tradições demoradas e trabalhosas. Entrevistei doceiras que não tinham para quem passar o conhecimento”, conta Mônica.

O grupo encontrou broas de massa de queijo, geléias de mocotó e um bolo chamado fatias de amendoim, com pedaços envolvidos em açúcar e canela.

Os tempos também mudaram os ingredientes usados. Cajuzinho-do-campo, uma fruta típica do cerrado, pêssego verde, murici e jenipapo são raros hoje em dia, mas sobrevivem por causa das doceiras de origem rural que continuam fazendo seus doces.

A cozinheira Cidinha Santiago, que hoje tem uma empresa de eventos em São Paulo, nasceu em Juiz de Fora (MG) e lembra que sua mãe cultivava a “ciência do doce”, como ela diz.

Todos os meses, nos aniversários de criança, a mãe reunia as mulheres da vizinhança para mexer as panelas e preparar uma mesa cheia de compotas e guloseimas. “Tento recuperar as receitas, mas em São Paulo é difícil. Não dá tempo”, diz ela, que preparou o doce de laranja-da-terra com rapadura e a broa de pau-a-pique para a Folha.

Antigamente, os segredos das iguarias eram contados em cadernos de receitas que passavam de mãe para filha. Quando uma moça se casava, com o enxoval, recebia o caderno.

Doce do Divino

Em Goiás, o folclorista Waldomiro Bariani Ortêncio, 83, reuniu 1.250 receitas da culinária do Estado no livro “A Cozinha Goiana”, que será relançado em outubro pela editora Kelps em uma edição comemorativa pelo aniversário de Goiânia. A obra estampa páginas dos cadernos culinários passados de geração em geração.

Na obra, o folclorista mostra a receita do alfenim, doce feito com açúcar e água, que produz uma pasta puxa-puxa modelada ainda quente na forma de flores, animais e objetos. O alfenim tem influência árabe e foi trazido ao Brasil pelos portugueses. É servido principalmente nas festas do Divino Espírito Santo.

A dona de restaurante Telma Machado, da Fazenda Babilônia, em Pirenópolis (GO), também pesquisou as receitas antigas da sua região. Ela recebe turistas para um café colonial na fazenda, que antigamente era um engenho de açúcar.

No restaurante, Telma rala mandioca e assa suas quitandas no forno a lenha. Seu bolo de fubá de arroz demora seis dias para ficar pronto. O arroz fica de molho por três dias até azedar e assumir as características de um fermento. Os grãos passam por uma peneira de arame e são socados no pilão.

Assim se faz o pó de arroz, usado antigamente pelas mulheres para cobrir o rosto. Depois, o ingrediente é embebido em coalhada e descansa por mais três dias. Ovos, manteiga, açúcar, queijo curado e erva-doce completam a receita.

“Antigamente, a comida era lenta. Hoje todos fazem fast food, e eu, slow food”, brinca.

Preconceito

Beth Beltrão, do restaurante Viradas do Largo, em Tiradentes (MG), afirma que existe certo preconceito com alguns pratos. “Limão é um ingrediente a que não dão importância”, diz a chef, que incluiu o doce de limão-capeta em seu cardápio.

Beth conta que o doce de pau de mamão, feito com raspas do tronco do mamoeiro, açúcar, cravo e canela, ainda sobrevive em algumas fazendas da região, mas já não desperta o mesmo interesse. “Se você diz que é um doce feito com pau de mamão, vão dizer que não tem cabimento, que parece comida que se dá para porco. Mas é um doce maravilhoso”, afirma.

A doceira mineira Maria José de Lima Freitas busca adaptar os doces que aprendeu com a mãe e a avó para algo mais próximo do que as pessoas estão acostumadas. “Aquilo que estava se perdendo, que era antigo, virou moderno na minha mão.”

Read Full Post »

Dá pra imaginar um desfile de roupas com cobertura de chocolate? Existe! Fotos aqui.

É um evento chamado Salon du Chocolat, que acontece em várias grandes cidades do mundo, como Nova York, Moscow, Tokyo e Paris. Esse último desfile aconteceu em Paris, e permitiu recolher fundos e oferece, a cada ano, centenas de quilos de chocolate para associações francesas.

A próxima cidade a receber o evento é Nova York (9 – 11/11).

Read Full Post »

por Claudia Midori

Dia 19 de setembro recebemos o comentário da Claudia (a engenheira) pedindo algumas dicas de Buenos Aires.

Olá Claudia ( a jornalista)

Eu sou a Claudia e vou para BA no próximo mês…..presente de aniversário do meridão…rs

Adorei seu blog!!!! Hoje na minha hora de almoço fiquei folheando uma revista com reportagem sobre BA…e acabei comprando uma mapa da cidade.

Vou numa quinta por volta do almoço e volto no domingo, na hora do almoço tb..

Já fiz uma enorme lista do que quero conhecer….mas estou com dificuldades para ordenar nos dias…tem alguma dica?

Bjus

Claudia (a engenheira)

Escrevi três e-mails com as dicas dos lugares que mais curti. Semana passada recebi dois e-mails da Claudia contando sua viagem – fiquei super feliz porque ela aproveitou e gostou das dicas, sem falar que ela passou outras dicas para quem for para BA!

Hola Claudia!

Primeiramente….obrigada por todas as suas dicas, me ajudaram bastante!!! Dos locais que você indicou, eu fui:Café Tortoni: show de tango na quinta, não fizemos reservas mas conseguimos um mesa no salão de tango, ADOREI, fomos muito bem atendidos, e comemos uma tábua de frios e vinho.

Sorvete da Freddo: tomei o famoso de doce de leite com doce de leite mole no meio…delicioso.

Empanada no La Boca: meu marido viu uma aglomerado e foi ver o que era…um rapaz vendendo empanadas quentinhas e maravilhosas…$ 1,50!

Puerto Madero: Almocei no Siga la Vaca e comi “aquele” profiterole…não acreditei no tamanho… e andei bastante por lá…Ponte da Mulher, o navio….

Também pedimos “sugerencias” à algumas pessoas e fomos nuns lugares diferentes:

Café da manhã: no 1º dia tomei café da manhã num lugar chamado Café La Paz (avenida Corrientes X Montevidéo), não foi barato…$22,00, mas veio suco de laranja, medialuna com jamón e queijo, uma xícara imensa de café com leite, um balde de salada de fruta e o famoso copinho de água com gás…

Nos outros dias fomos numa padaria e cafeteria perto do hotel…bem mais em conta e muito boas (o cardápio era quase sempre o mesmo…)

Palermo: fomos no sábado à noite e paramos em Palermo Viejo, num lugar chamado ” La Cabrera” (Thames x Cabrera). Estava lotado e resolvemos esperar…valeu a pena, eles servem várias carnes e todas acompanham vários molhos diferentes…escolhemos Ojo de Bife, todos os molhos, uma excelente garrafa de um tinto Malbec e de sobremesa uma torta de maçã divina com sorvete de creme…foi nosso jantar mais caro $116,00 (num dá R$ 70,00)!

Abasto: jantamos no Shopping na sexta de noite. Num fast food chamado “Troppo”, eles tem pastas e pizza. Comemos um pizza individual bem gostosa

Recoleta: O La Biela estava muito lotado, então fomos num restaurante ao lado , “Café Victória”, tem o mesmo sistema do Siga la Vaca, entrada, prato, sobremesa e uma garrafa de vinho inclusa – $35. A diferença é que de cada item você tem umas três opções. O lugar é muito lindo e fomos bem atendidos. Ah! Não peça de sobremesa o Bombom Suíço…é um bombom gigante de sorvete, só que vem muito duro e vimos várias pessoas “brigando” para comê-lo…foi hilário.

Claudia (a engenheira)

Read Full Post »

Quiches são sempre ótimas opções para acompanhar saladas, mas também pode fazer parte de entradas, lanches e até mesmo refeições. Um bom vinho branco seco e encorpado ou um tinto jovem cai muito bem para acompanhar. Embora atualmente a quiche seja um prato tradicional da culinária francesa, sua origem é alemã, do reino medieval de Lothringen. Mais tarde os franceses o batizaram de Lorraine. A palavra “quiche” vem do alemão “kuchen”, que significa torta. A quiche Lorraine original nasceu no século XVI e era uma torta aberta recheada com creme feito de leite e ovos acrescido de bacon defumado. Somente depois foi acrescentado queijo à quiche Lorraine. Adicionando cebolas obtém-se a quiche Alsaciana.

A quiche se tornou popular na Inglaterra logo após a Segunda Guerra Mundial e nos Estados Unidos, na década de 1950. Hoje pode-se encontrar uma grande variedade de quiches, desde a original quiche Lorraine, até aqueles com alho-poró, champignon, espinafre e mesmo peixes, como o salmão.

A Bella Gula Fast Bistrô, rede de alimentação oriunda de Porto Alegre, traz para as suas três lojas de São Paulo dez versões criativas desta iguaria já tão apreciada pelos brasileiros. As opções de Frango com Palmito, Frango com molho vermelho e Azeitonas, Espinafre com Creme de Queijo e Calabreza com Queijo são de quiches grandes, pelo preço de R$ 36,00/kg (fatia) ou R$ 29,90/kg (inteira). Já os apreciadores de mini quiches, poderão degustar os sabores de Quatro Queijos ou Espinafre (R$ 3,90). Mas os mini quiches da Bella Gula também poderão ser levados para casa, pois pelo preço de R$ 89,00 o cento, os clientes experimentam as versões: Tomate Seco, Espinafre, Quatro Queijos ou Portuguesa, que leva presunto, queijo e ovos.

Read Full Post »

Desde o dia 19 participamos de uma eleição feita pelo blog Deghust. Aguardamos os votos de quem lê o Comidinhas – As aventuras gastronômicas de 3 jornalistas!

Read Full Post »

Funciona mesmo

por Claudia Midori

No final de semana fui no shopping Center Norte para trocar uma roupa e acabei almoçando por lá mesmo. Aproveitei para ver se algum restaurante já emitia a nota fiscal com o CPF para abater do IPVA, a tal Nota Fiscal Paulista, e não é que alguns estabelecimentos já começaram? Acabei de entrar no site da Secretaria da Fazenda e pedi a lista de restaurantes que aderiram ao programa.

No sábado, a atendente do Big X-Picanha estranhou eu pedir a nota fiscal, fez uma cara de assustada que não entendi, mas é melhor deixar pra lá. Na sorveteria Fredíssimo fui informada que deveria dizer o CPF antes…rs. Galera, algumas informações importantes estão no site da Secretaria, fique de olho! Peça nota fiscal sempre!!!

Read Full Post »

Older Posts »